segunda-feira, 7 de julho de 2014




O cristão pode emprestar dinheiro a juros?

Olá amigos do blog ai graphai, é com alegria que volto a postar um novo estudo aqui em nosso blog, que é o maior e mais interessante blog de teologia de todo o vale do rio Tijucas! E o estudo de hoje, é uma resposta bíblica para alguns irmãos amados que acompanham o nosso blog, e que possuem dúvidas a respeito deste assunto, que de fato, causa dúvidas nos crentes sinceros, e muita confusão no meio dos arraiais evangélicos.
A questão em si, não é se podemos ou não emprestar dinheiro, mas sim, o que seria os juros segundo a palavra de Deus? Esse é o ponto principal para realmente elucidarmos essa questão.
Para isso, vamos tomar por base o texto de Levítico 25.36,37 que diz o seguinte:
“Não receberás dele juros nem ganho; teme, porém, ao teu Deus, para que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro com juros, nem lhe darás o teu mantimento por causa de lucro”.
E o texto de Deuteronômio 23.19-20 que nos diz o seguinte:
“A teu irmão não emprestarás com juros, nem dinheiro, nem comida, nem qualquer cousa que se empresta com juros. Ao estrangeiro emprestarás com juros, porém a teu irmão não emprestarás com juros; para que o Senhor teu Deus te abençoe em todos os teus empreendimentos, na terra a qual passas a possuir”.
Uma vez que estamos de posse desses textos maravilhosos da palavra de Deus, podemos retirar deles a palavra juros (usura), para sabermos o significado desse termo no texto original, isto é, no hebraico. Podemos ver que o texto de levítico é uma clara proibição dos juros entre os israelitas, porém, em Deuteronômio, vemos que essa prática comercial é perfeitamente aplicável com os estrangeiros. A palavra usura, ou juros, vem dos termos neshek, “usura”, e marbît, “juro extra”. Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, pg. 1011, o texto de Lv. 25 não pode estar se opondo a cobrança de juros, pois a passagem fala da escravização do devedor (ver. 25.39). Também é dito na referida página, que naquela época, os empréstimos eram feitos já com os juros descontados! Por exemplo, se alguém precisava de 80 siclos para saudar uma dívida, deveria pedir um empréstimo de 100 siclos, pois os juros já eram descontados na hora, sendo que juros posteriores eram totalmente proibidos, mas caso não conseguisse quitar sua dívida com o credor (agiota), o devedor se tornava um escravo. Porém o código levítico ordenava um tratamento justo e humano para com a pessoa escravizada “Também se teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo” (Lv. 25.39). Em fim, havia permissão de se cobrarem juros, mas não juros irreais (usura), que traria a ruína e o empobrecimento do irmão israelita.
Mas é claro, que nem todos os israelitas não obedeceram à lei de Deus, e cobraram impiedosamente os juros, até o ponto de Deus os repreender por meio dos profetas “...usura e lucros tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu próximo com extorsão; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus.” (Ez 22.12). Mas aqueles que temiam de fato ao Senhor se guardaram de cobrar juros abusivos dos irmãos, e creram na prosperidade divina sobre as suas vidas “O que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.” (Sl. 15.5).
Mas, e os estrangeiros? Os israelitas poderiam emprestar dinheiro a juros para eles?
Ao que tudo indica, para os estrangeiros que viviam em meio ao povo de Israel, ou os que vinham das nações vizinhas, era permitido cobrar juros “Ao estrangeiro emprestarás com juros; porém a teu irmão não emprestarás com juros” (Dt. 23. 20).
Bom, para concluirmos este pequeno estudo, transcrevo mais uma passagem, dessa vez do Novo Testamento: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21).
 Devemos entender o caráter das leis de Deus sobre empréstimos e juros, e entendermos que o mais importante nesta vida não é juntarmos tesouros e glórias aqui neste mundo, mas sim no céu. E que fazer fortuna em cima da fraqueza e desgraça alheia, entristece o coração de Deus.
Não quero dizer com isso, que a Bíblia proíbe a prática de juros ao cristão, mas sim, que ela nos aconselha a agirmos com justiça, não nos esquecendo a quem servimos.
Que Deus vos abençoe!
Soli Deo Glória!
Pr. Igor De Moura Cogoy


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