sexta-feira, 18 de julho de 2014




Porque creio na predestinação
Uma exposição simples e bíblica da soberania de Deus na salvação do homem

Olá amigos do blog ai graphai, escrevi este post com o propósito de testemunhar a cerca de uma doutrina que é bíblica, mas é mau compreendida por grande parte dos cristãos no Brasil. Digo no Brasil, por que na Europa e na América do Norte, é muito aceita e até comum entre os credos e declarações de fé. A predestinação é uma doutrina bíblica, fundamentada e ensinada pelos primeiros cristãos e cito como exemplos os seguintes teólogos e pregadores: Agostinho de Hipona, grande teólogo e patriarca da igreja, Spurgeon, o príncipe dos pregadores, Calvino, o mestre da reforma, e tantos outros que poderiam ser citados aqui neste estudo, que defendiam e ensinavam em suas igrejas sobre essa importante doutrina bíblica.
Penso que o fato de muitos não aceitarem essa doutrina, é porque não conseguem enxergar a realidade espiritual em que se encontram os homens antes de Cristo os chamar a salvação! É impossível você compreender a doutrina da predestinação, sem antes entender que o homem sem Deus está morto espiritualmente, e estando morto, não tem condições de compreender as coisas espirituais “Ora o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1° Co 2.14), e ainda “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef. 2.1). Somente depois de Deus aplicar a eleição em nossas vidas, é que compreendemos o Evangelho e ouvimos a palavra de Deus claramente “Se vos digo a verdade, por que razão não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (Jo 8.47). Isso no pensamento calvinista é a depravação total da humanidade, um conceito fundamentado nas escrituras, que procura explicar que o ser humano na queda, perde totalmente sua capacidade de enxergar as coisas de Deus, pois suas vontades e poder de decisão estão corrompidos com o pecado (morto espiritualmente). Sendo necessário ao homem, ser resgatado por Deus. Portanto, não é o homem por sua livre escolha (Livre arbítrio) que decide aceitar a Cristo, mas é Cristo, que antes de tudo ser criado escolhe quem haveria de se salvar “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis frutos” (Jo 15.16), e ainda “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra; nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef 1.4-14).  Sabendo e aceitando a soberania de Cristo em sua vida, Paulo pode afirmar que a salvação não vem da nossa escolha, ou de “nosso livre arbítrio”, mas é resultado exclusivo da eleição, predestinação divina, que Paulo em Efésios 2.8 chama de graça “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Perceba que Paulo diz claramente que a salvação é um dom, e que este dom, não vem de nós, mas de Deus.  Deste modo, quem dá o crescimento a igreja é o próprio Deus, o Senhor da igreja, ele mesmo envia os que estão destinados a salvação “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2.47).  De maneira, que ao fim de cada sermão, de cada mensagem ou estudo da palavra, só aceitaram a mensagem divina aqueles que estão destinados a salvação “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna (Atos 13.48), e ainda “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Pense comigo, por que Jesus disse que ninguém poderia ir até ele sem ser pelo Pai? O próprio Cristo responde isso: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo1.12-14).
Alguns dizem não aceitar esse ensino, porque isso faria de Deus um carrasco, injusto e preconceituoso, que faz acepção de pessoas. Querem entender a Deus com base nos pensamentos e lógicas humanas, mas se esquecem que Deus não pensa como nós, e por tanto seu padrão de justiça é mais elevado e reto do que o nosso. O que não conseguem entender, é que Deus em sua sabedoria, deixa aqueles que por seu decreto não haverão de herdar a salvação, viverem da maneira como quiserem, assim quando o juízo chegar, não terão desculpas diante do criador, pois fizeram o que realmente sempre desejaram fazer, veja esse exemplo encontrado nas escrituras: ”nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.2-5). 
Pois a carne nunca deseja fazer a vontade de Deus, a carne é nossa inimiga “Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita a lei de Deus, nem em verdade o pode ser” (Rm 8.6,7).  Na verdade, os únicos que poderiam reclamar que Deus não respeita sua liberdade, são os predestinados! Pois eles foram impedidos de viver como os demais homens, ou seja, no pecado, Deus os resgata e abri-lhes os olhos para verem as misérias do mundo.  
Os que se recusam a aceitar a soberania de Deus em sua salvação, o fazem por dois motivos: Por não compreenderem de fato a soberania de Deus na salvação do homem, isto é, não entendem que Deus age sozinho na salvação, regeneração, e justificação do pecador “Ao Senhor pertence a salvação!” (Jonas 2.9). Ou por orgulho e preconceito, e esse sim, é o pior dos motivos. Pior é você não querer ver uma verdade que esta na palavra de Deus, do que você não conhecê-la por ignorância ou por falta de oportunidade.
Creio na predestinação, não por orgulho ou por escolha, mas sim, porque é bíblica, está na Bíblia (O termo predestinação é uma tradução da palavra grega proorizo, que aparece seis vezes no Novo Testamento. Bíblia de Estudo de Genebra, pg. 1488, ECC, SBB). Ao contrário do termo Livre arbítrio, que não está na Bíblia, mas é uma construção teológica, sendo resultado do pensamento teológico cristão.
Alguns argumentam que Deus nos dá o livre arbítrio, e usam até de textos bíblicos para o defenderem, mas se analisados dentro do seu contexto, pode-se perceber que não se sustentam. É o caso de 1° Tm  2.4 que diz o seguinte: “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” Se olharmos só o verso quatro e não todo o contexto do capítulo, somos tentados a crer que o livre arbítrio realmente existe, mas basta uma simples verificada nos versos anteriores, para constatarmos que o texto não está realmente falando da salvação de todos, mas sim de todos os tipos étnicos, ou seja, de todas as classes e todos os tipos de pessoas! “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isso é bom e aceitável diante de Deus, nosso salvador” (1°Tm 2.1-3).  Perceba que o texto esta falando de orar para não haver perseguição e para que haja bom governo. Pois se entendermos que o verso quatro está falando de livre-arbítrio, logo, teremos que admitir que Deus não possa salvar os pecadores, antes precisa das orações dos crentes para fazê-lo. Esse não é o Deus da Bíblia. O Deus da Bíblia declara-se forte e autor da salvação “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.14-16).  Outros textos, usados para defender o livre arbítrio do homem, são os que falam em perseverar, esforçar e etc. Vou citar um deles para melhor expor o meu pensamento, e depois vou refutá-lo, provando que não há coerência no ensino do livre arbítrio. “ E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24.12,13). Alguns teólogos usam de textos como esse, para mostrar que o homem tem grande papel na salvação, e por isso pode sim decidir se aceitará ou não a mensagem do Evangelho, mas se esquecem, que os que foram escolhidos, eleitos por Deus a salvação, são preservados por ele, e depois de receberem o selo de Deus, que é o Espírito Santo em suas vidas, não podem mais se perderem, antes, são guardados até o fim “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (Mt 24.21-22). O próprio Cristo, afirma de forma muito clara, que todos os que o Pai lhe der, nenhum será perdido: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).
Poderia eu discutir a predestinação com Deus? Poderia eu dizer que ela não existe, se há tantos versos provando sua existência? Não, não há como negar que Deus tem os seus escolhidos e os seus preteridos, podemos até não entendermos como funciona a seleção de Deus, mas que ela existe e foi realizada antes da fundação do próprio mundo é um fato comprovado pelas escrituras sagradas.
De posse de todo esse conhecimento mostrado nas escrituras, qual será o seu procedimento meu amigo? Crerás que a Bíblia é verdadeira e seus ensinos são santos? Ou negarás a verdade contida nas escrituras a respeito da salvação?
Deixo para os descrentes as seguintes palavras do apóstolo Paulo: “Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu a sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?” (Rm 9.19-21).
Que Deus vos abençoe e vos de a cada dia mais graça e conhecimento!

Pr. Igor de Moura Cogoy

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