terça-feira, 3 de junho de 2014








A Soberania de Deus


Olá amigos do BLOG AI GRAPHAI, nesta semana vamos meditar no poder maravilhoso de Deus e em sua soberania.
Muitos concordam que Deus é poderoso, que ele tem poder e que pode todas as coisas, mas poucos de fato compreendem o sentido de tais afirmações, e negam o que foi afirmado acima sem o perceber. Outros, por sua vez, aceitam a soberania de Deus em quase tudo em sua vida, mas a negam em outras áreas. Em fim a dificuldade do ser humano em reconhecer sua real condição de miséria e morte espiritual antes de Cristo, o faz acreditar que possui ou sempre possuiu o poder de escolha e decisão sobre todas as áreas de sua vida, seja sentimental, profissional, e até espiritual.
Alguns realmente acreditam que podem até mandar em Deus! Claro que de forma inconsciente, sem perceber a realidade do que está fazendo e com quem esta falando. Pois ao declarar frases como: Eu determino minha vitória! Ou eu determino e ordeno minha cura! Essas pessoas estão falando com quem? Quando se repreende uma doença ou espírito, e acompanhado do poder e autoridade do nome de Jesus, não tem problema. Mas quando determinamos nossa vitória financeira, estamos mandando a quem nos dar a vitória ou a abrir a porta? Não seria o próprio Deus! Pois quem é que nos abençoa? Quem o ser humano pensa que é para dar ordens a Deus?
Deus é soberanos queridos, ele tem todo o poder e exerce esse poder como melhor lhe apraz!
“A teologia reformada enfatiza a soberania de Deus de pelo menos três maneiras: pela criação, pela providencia, e pela graça.” (Bíblia de Estudo de Genebra, pg. 762. SBB; ECC). A seguir demonstro de maneira sucinta e clara os dois primeiros aspectos da soberania de Deus, que julgo não haver necessidade de maiores esclarecimentos visto que a maioria dos cristãos, se não todos, acreditam da mesma forma. Porém, no terceiro aspecto me estenderei um pouco mais, visto a dificuldade que muitos cristãos sinceros têm em reconhecer a soberania de Deus na salvação do homem.
Por tanto, a soberania de Deus pode ser encontrada e percebida em pelo menos três áreas importantes de nossas vidas e no próprio cosmos:
1)      A soberania de Deus na criação. A bíblia não se preocupa em provar que Deus existe e que é o criador de todas as coisas, ela simplesmente afirma isso com toda a autoridade e beleza (Ver: Gn 1. 1-31). E chama a todos que não reconhecem essa verdade, de tolos ou insensatos! (Sl 14.1). E sendo o soberano criador de todas as coisas, Deus não divide assim a sua glória com ninguém “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, ás imagens de escultura” (Is 42.8). Ao afirmar isso, o Senhor diz de maneira bem clara que nós humanos não somos nada, e por tanto, não devemos imaginar termos algo de especial em nós mesmos, pois não passamos de cacos de barro nas mãos soberanas de nosso oleiro, o Senhor Deus (Is 45.9). Nem devemos cultuar ou louvar a outros deuses ou imagens de esculturas, pois não foram elas que fizeram a terra e tudo o que nela há, mas sim o Senhor Deus (Is 45.12). Os ídolos, assim como as imagens de esculturas (quem lê entenda), são criações da imaginação humana e como tudo o que ofende a glória e a soberania de Deus, devem ser abandonados! Soli Deo Glória!
2)      Deus é o sustentador de toda ordem. Mas essa ordem, não é segundo os padrões humanos e sim segundo os padrões divinos. Ele levanta e derruba impérios (ver livro do profeta Daniel), Sustenta os crentes em sua missão pela força do seu poder (Js 1.1-9), opera maravilhas e sinais diante do mundo, para que possam crer naqueles em que envia (Mc. 16.17; At 5.12). Por tanto, não podemos compreender a lógica divina, mas sim, agradecê-lo por seu imenso amor por nós, que sendo pecadores e transgressores de sua vontade, não foi isso empecilho para que ele se entregasse na cruz por todos nós.  Deus é o mantenedor de toda ordem, e nada pode acontecer sem que ele tenha permitido (Sl 96.10; 47.8,9; Dn 4.34,35).
3)      A salvação pertence a Deus! Ele é soberano para salvar, não precisando da colaboração de ninguém para isso “Ao Senhor pertence a salvação!” (Jonas 2.9). Muitos aceitam a soberania de Deus, apenas nos dois primeiros pontos deste estudo, mas negam a soberania de Deus na salvação do homem (Arminianismo). Mas a palavra de Deus nos mostra de maneira bem clara que a salvação é do começo ao fim, uma obra divina (Ef 2.8,9), e que por tanto não vem do homem, nem parte dele.  A Bíblia nos diz, que não podemos dar o primeiro passo em direção a Cristo, senão recebermos a capacidade de fazê-lo “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia... E prosseguiu: por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se pelo Pai, não lhe for concedido (João 6. 44,65). Isso, porque antes de nossa conversão a Cristo, estávamos mortos para Deus (Ef 2. 1,5; Cl 2.13), e mortos não possuem a capacidade de ver, pensar e muito menos de se arrepender dos seus pecados, o morto está morto! Essa “morte” espiritual que citei, é na verdade uma cegueira espiritual que impede que as pessoas possam ver a verdade de Deus e assim possam se converter a Deus (ver: João 12.40; 2° Co 4.4). Sendo assim, não é o homem que se arrepende de seus pecados usando uma espécie de livre arbítrio (Sinergismo) que sequer é mencionado na Bíblia! Nem tem o homem a capacidade de escolher a Deus ou de escolher servir a Deus, mas pelo contrário Deus é que escolhe (Monergismo) o homem e que o salva da condenação certa (João 15.16; Rm 9.16,18).  É necessário frisar, que essa escolha divina, não se dá pelos méritos humanos, mas sim por meio da graça divina (Ef 2.8), que é concedida aos eleitos de Deus, que foram escolhidos e predestinados antes mesmo da criação do mundo e de todas as coisas (Efésios 1.3-14). Uma vez esclarecido o mistério da salvação e reconhecido a soberania divina na salvação do homem, faz-se necessário também esclarecer a forma ou o meio utilizado por Deus para nos convencer do pecado e nos transportar do reino das trevas, para o reino da sua maravilhosa luz. A Bíblia nos mostra que somente os escolhidos, predestinados (Gr. Prooridzo) vão ouvir e entender a mensagem do Evangelho, os demais, apesar de todo o esforço evangelístico mundial e da eficácia da palavra de Deus, nunca irão se converter pois também foram predestinados para esse fim (Pv.16.4; Rm 9.14-24).  Somente aqueles que pertencem a Deus ouvirão sua Voz “Se voz digo a verdade, por que razão não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (João 8.46,47). E ainda: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sidos destinados para a vida eterna” (Atos 13.48). Os predestinados por assim dizer, são pessoas do mundo inteiro, ou seja, de todas as nações, raças e tribos, pois Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17; At 10. 34; Rm 2.11; Ef 6.11; Jo 3.16). O fato de Deus não fazer acepção de pessoas, não indica a existência de um livre arbítrio, aliás, sobre isso, quero citas as palavras de Agostinho de Hipona, um dos patriarcas da igreja e famoso teólogo acerca de graça e predestinação: “O poder salvífico desta religião jamais faltou a alguém que dela fosse digno e, se a alguém faltou, é porque não foi digno, se se discute e investiga a razão pela qual alguém é digno, não faltam os que dizem que é pela vontade humana. Nós, porém, dizemos que é pela graça e a predestinação divinas. Todavia entre a graça e a predestinação há apenas esta diferença: a predestinação é a preparação para a graça, enquanto a graça é a doação efetiva da predestinação” (A predestinação dos Santos, Agostinho de Hipona, pg.35. Edit. Projeto Castelo Forte). Como vemos, o que alguns entendem como livre arbítrio, e que volto a repetir nem consta nas escrituras este termo, sendo ele o resultado de uma construção teológica, Agostinho considerava apenas a graça de Deus! Como consta em Efésios 2.8, não sendo nada mais que a predestinação divina, que não depende da decisão ou escolha humana, mas sim da soberania divina. Por tanto, pelo que podemos constatar nas escrituras, não existe livre arbítrio, nem salvação universal (universalismo). Mas pelo contrário, a Bíblia nos informa que Deus tem um povo que para ele é especial, pois foi comprado com o sacrifício de seu filho Jesus Cristo (ver: Tito 2.14). O próprio Cristo afirmou que possuía ovelhas em outros apriscos (João 10.14-16), e logo depois, em sua oração sacerdotal, vemos que Cristo não orava pelo mundo, mas por aqueles que o Pai havia lhe concedido “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (João 17.9).
Como é maravilhoso, conseguirmos entender o amor e os desígnios de Deus em nossas vidas! Como é bom saber que nos ama não é verdade? Saber que foi ele quem nos escolheu, mesmo estando cada um de nós longe dele e perdidos no caminho, ele ainda assim nos amou e nos resgatou por sua misericórdia. Então, vamos reconhecer essa soberania divina e gritarmos ao mundo que ao Senhor pertence à salvação!

Soli Deo Glória!
Pr. Igor de Moura Cogoy