sexta-feira, 18 de julho de 2014




Porque creio na predestinação
Uma exposição simples e bíblica da soberania de Deus na salvação do homem

Olá amigos do blog ai graphai, escrevi este post com o propósito de testemunhar a cerca de uma doutrina que é bíblica, mas é mau compreendida por grande parte dos cristãos no Brasil. Digo no Brasil, por que na Europa e na América do Norte, é muito aceita e até comum entre os credos e declarações de fé. A predestinação é uma doutrina bíblica, fundamentada e ensinada pelos primeiros cristãos e cito como exemplos os seguintes teólogos e pregadores: Agostinho de Hipona, grande teólogo e patriarca da igreja, Spurgeon, o príncipe dos pregadores, Calvino, o mestre da reforma, e tantos outros que poderiam ser citados aqui neste estudo, que defendiam e ensinavam em suas igrejas sobre essa importante doutrina bíblica.
Penso que o fato de muitos não aceitarem essa doutrina, é porque não conseguem enxergar a realidade espiritual em que se encontram os homens antes de Cristo os chamar a salvação! É impossível você compreender a doutrina da predestinação, sem antes entender que o homem sem Deus está morto espiritualmente, e estando morto, não tem condições de compreender as coisas espirituais “Ora o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1° Co 2.14), e ainda “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef. 2.1). Somente depois de Deus aplicar a eleição em nossas vidas, é que compreendemos o Evangelho e ouvimos a palavra de Deus claramente “Se vos digo a verdade, por que razão não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus” (Jo 8.47). Isso no pensamento calvinista é a depravação total da humanidade, um conceito fundamentado nas escrituras, que procura explicar que o ser humano na queda, perde totalmente sua capacidade de enxergar as coisas de Deus, pois suas vontades e poder de decisão estão corrompidos com o pecado (morto espiritualmente). Sendo necessário ao homem, ser resgatado por Deus. Portanto, não é o homem por sua livre escolha (Livre arbítrio) que decide aceitar a Cristo, mas é Cristo, que antes de tudo ser criado escolhe quem haveria de se salvar “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis frutos” (Jo 15.16), e ainda “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra; nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef 1.4-14).  Sabendo e aceitando a soberania de Cristo em sua vida, Paulo pode afirmar que a salvação não vem da nossa escolha, ou de “nosso livre arbítrio”, mas é resultado exclusivo da eleição, predestinação divina, que Paulo em Efésios 2.8 chama de graça “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Perceba que Paulo diz claramente que a salvação é um dom, e que este dom, não vem de nós, mas de Deus.  Deste modo, quem dá o crescimento a igreja é o próprio Deus, o Senhor da igreja, ele mesmo envia os que estão destinados a salvação “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2.47).  De maneira, que ao fim de cada sermão, de cada mensagem ou estudo da palavra, só aceitaram a mensagem divina aqueles que estão destinados a salvação “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna (Atos 13.48), e ainda “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Pense comigo, por que Jesus disse que ninguém poderia ir até ele sem ser pelo Pai? O próprio Cristo responde isso: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo1.12-14).
Alguns dizem não aceitar esse ensino, porque isso faria de Deus um carrasco, injusto e preconceituoso, que faz acepção de pessoas. Querem entender a Deus com base nos pensamentos e lógicas humanas, mas se esquecem que Deus não pensa como nós, e por tanto seu padrão de justiça é mais elevado e reto do que o nosso. O que não conseguem entender, é que Deus em sua sabedoria, deixa aqueles que por seu decreto não haverão de herdar a salvação, viverem da maneira como quiserem, assim quando o juízo chegar, não terão desculpas diante do criador, pois fizeram o que realmente sempre desejaram fazer, veja esse exemplo encontrado nas escrituras: ”nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.2-5). 
Pois a carne nunca deseja fazer a vontade de Deus, a carne é nossa inimiga “Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita a lei de Deus, nem em verdade o pode ser” (Rm 8.6,7).  Na verdade, os únicos que poderiam reclamar que Deus não respeita sua liberdade, são os predestinados! Pois eles foram impedidos de viver como os demais homens, ou seja, no pecado, Deus os resgata e abri-lhes os olhos para verem as misérias do mundo.  
Os que se recusam a aceitar a soberania de Deus em sua salvação, o fazem por dois motivos: Por não compreenderem de fato a soberania de Deus na salvação do homem, isto é, não entendem que Deus age sozinho na salvação, regeneração, e justificação do pecador “Ao Senhor pertence a salvação!” (Jonas 2.9). Ou por orgulho e preconceito, e esse sim, é o pior dos motivos. Pior é você não querer ver uma verdade que esta na palavra de Deus, do que você não conhecê-la por ignorância ou por falta de oportunidade.
Creio na predestinação, não por orgulho ou por escolha, mas sim, porque é bíblica, está na Bíblia (O termo predestinação é uma tradução da palavra grega proorizo, que aparece seis vezes no Novo Testamento. Bíblia de Estudo de Genebra, pg. 1488, ECC, SBB). Ao contrário do termo Livre arbítrio, que não está na Bíblia, mas é uma construção teológica, sendo resultado do pensamento teológico cristão.
Alguns argumentam que Deus nos dá o livre arbítrio, e usam até de textos bíblicos para o defenderem, mas se analisados dentro do seu contexto, pode-se perceber que não se sustentam. É o caso de 1° Tm  2.4 que diz o seguinte: “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” Se olharmos só o verso quatro e não todo o contexto do capítulo, somos tentados a crer que o livre arbítrio realmente existe, mas basta uma simples verificada nos versos anteriores, para constatarmos que o texto não está realmente falando da salvação de todos, mas sim de todos os tipos étnicos, ou seja, de todas as classes e todos os tipos de pessoas! “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isso é bom e aceitável diante de Deus, nosso salvador” (1°Tm 2.1-3).  Perceba que o texto esta falando de orar para não haver perseguição e para que haja bom governo. Pois se entendermos que o verso quatro está falando de livre-arbítrio, logo, teremos que admitir que Deus não possa salvar os pecadores, antes precisa das orações dos crentes para fazê-lo. Esse não é o Deus da Bíblia. O Deus da Bíblia declara-se forte e autor da salvação “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.14-16).  Outros textos, usados para defender o livre arbítrio do homem, são os que falam em perseverar, esforçar e etc. Vou citar um deles para melhor expor o meu pensamento, e depois vou refutá-lo, provando que não há coerência no ensino do livre arbítrio. “ E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24.12,13). Alguns teólogos usam de textos como esse, para mostrar que o homem tem grande papel na salvação, e por isso pode sim decidir se aceitará ou não a mensagem do Evangelho, mas se esquecem, que os que foram escolhidos, eleitos por Deus a salvação, são preservados por ele, e depois de receberem o selo de Deus, que é o Espírito Santo em suas vidas, não podem mais se perderem, antes, são guardados até o fim “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (Mt 24.21-22). O próprio Cristo, afirma de forma muito clara, que todos os que o Pai lhe der, nenhum será perdido: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).
Poderia eu discutir a predestinação com Deus? Poderia eu dizer que ela não existe, se há tantos versos provando sua existência? Não, não há como negar que Deus tem os seus escolhidos e os seus preteridos, podemos até não entendermos como funciona a seleção de Deus, mas que ela existe e foi realizada antes da fundação do próprio mundo é um fato comprovado pelas escrituras sagradas.
De posse de todo esse conhecimento mostrado nas escrituras, qual será o seu procedimento meu amigo? Crerás que a Bíblia é verdadeira e seus ensinos são santos? Ou negarás a verdade contida nas escrituras a respeito da salvação?
Deixo para os descrentes as seguintes palavras do apóstolo Paulo: “Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu a sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?” (Rm 9.19-21).
Que Deus vos abençoe e vos de a cada dia mais graça e conhecimento!

Pr. Igor de Moura Cogoy

segunda-feira, 14 de julho de 2014




Porque não creio em pontos de contato ou legalidade ao diabo

Olá amigos do blog ai graphai, como é bom poder escrever para vocês! E no dia de hoje, quero falar sobre uma “doutrina” muito comum no meio evangélico, a do ponto de contato, ou legalidade ao diabo, como queira.
Ao contrário do que aparenta, essa doutrina é perniciosa e surgiu na mente de homens gananciosos e mal intencionados, e que infelizmente tem encontrado abrigo no coração de crentes superficiais, que temem mais ao diabo que ao próprio Deus, esse ensino de ponto de contato é herético e tem causado muitos males à igreja de Cristo. Não são poucas as vezes que ouvimos testemunhos de irmãos que se desfazem de coisas de valor financeiro ou de valor sentimental por acreditarem que tais objetos eram amaldiçoados. E isso acontece pela ignorância ou falta de conhecimento bíblico de pastores e obreiros, ou ainda pela esperteza de falsos pastores, que se aproveitam da boa fé dos irmãos para incutir o medo e a total dependência espiritual.
Os defensores dessa prática se utilizam de um simbologismo, que é de causar inveja a qualquer guru místico! Para eles, vários objetos são malditos e devem ser retirados das casas dos irmãos, como fotos do passado, de ex-amigos, de ex-namorados, e acreditem, até bichinhos de pelúcias, entram na listas de objetos malditos desses pastores gurus. Outro dia, vi um pastor pregar que o sapo de pelúcia era um ponto de contato, pois os sapos são utilizados nos rituais de feitiçaria, e quem, portanto tivesse um sapo de pelúcia, mesmo que tivesse ganhado dos pais ou do namorado, deveria se desfazer pois estava com um ponto de contato. Que absurdo! Como alguém pode acreditar que um sapo de pelúcia, é uma porta aberta ao diabo dentro de um lar cristão? Eu pergunto quem fez o sapo e todos os animais, Deus ou o diabo? E qual é a base bíblica para ensinar isso?
A base bíblica utilizada para a defesa dessa heresia é a seguinte: “Não meterás, pois, coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela, de todo, a detestarás e, de todo, a abominarás, pois é amaldiçoada “ (Dt. 7.26). Para quem ouve essas palavras de maneira despercebida, parece realmente falar que devemos ter o cuidado quanto aos objetos que colocamos em nossos lares, mas a pergunta correta a se fazer é a seguinte: O que seria os objetos malditos citados neste texto das escrituras?
O erro destes pastores, é que não se dão ao trabalho de verificar o contexto da citação, e usam um texto isolado para criarem uma doutrina. O erro é tão infantil que me parece até mal intencionado. Pois o texto de Deuteronômio 7.26 não pode ser interpretado separadamente do verso 25, que diz o seguinte: “As imagens de esculturas de seus deuses queimarás; a prata e o ouro que estão sobre elas não cobiçaras, nem os tomarás para ti, para que não te enlaces neles; pois são abominação ao Senhor, teu Deus” (Dt 7.25). Entenderam o que era abominável e não deveria ser colocado dentro dos lares israelitas? Deus estava dizendo para os israelitas que deveriam tomar o cuidado de não levarem os ídolos pagãos para dentro de seus lares. Esse verso é uma advertência a idolatria, que tão de perto rodeava a nação de Israel, e não um verso para ser usado como prova de diversos objetos amaldiçoados. O objeto maldito citado aqui é o ídolo.
O grande problema de alguns pastores evangélicos brasileiros, é que eles não gostam de ler a Bíblia, não se dão ao trabalho de ler o contexto inteiro e pregam o que não sabem. Mas o problema maior, é que esses pastores, sabem que a maioria dos crentes, são como eles, que também não gostam de ler, mas antes preferem acreditar em tudo o que é ensinado nos cultos. É esse analfabetismo bíblico, patrocinado por uma falta de responsabilidade, temor, e preguiça que tem levado as igrejas e os crentes modernos a professar uma fé superficial ligada a símbolos e superstições vãs, que de bíblica não tem nada.
E incrível, como os neo-pentecostais se apoderam de versos do Antigo Testamento, e usando de um simbolismo supersticioso aliado a uma falta de conhecimento do povo, e transformam toda a mensagem das escrituras sobre o assunto em algo místico e espiritualizado. Esse texto que citei de Deuteronômio é uma prova disso, ele nada fala dos animais e da natureza que Deus em sua sabedoria e poder criou. Os animais nada têm haver com as loucuras e pecados humanos, e nada podem fazer para prejudicar ou amaldiçoar um filho de Deus.
Querido entenda uma coisa, se Deus não edificar a sua casa, nada que você fizer edificará! “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”(Salmo 127.1).
Outra coisa, onde está na Bíblia, que o diabo tem poder para entrar em sua casa através de uma foto, de um sapo de pelúcia ou coisa parecida? Onde está escrito que o diabo tem legalidade sobre a vida dos que estão em Cristo Jesus? Quem é maior Deus ou o diabo?
Pelo que vejo isso tudo é fruto de mente supersticiosa e presa ainda aos costumes e superstições do passado, de vidas não libertas e que não acreditam na palavra de Deus, nem valorizam o sacrifício de Cristo no calvário.
Que Deus vos abençoe!
Pr. Igor de Moura Cogoy



domingo, 13 de julho de 2014

Igreja do Novo Testamento




6 Verdades acerca da igreja do Novo Testamento que não são pregadas na igreja moderna
Olá amigos do blog ai graphai, esta semana promete, pois tenho preparado dois textos maravilhosos para compartilhar com a igreja de Cristo. E o primeiro, é este que nos fala da igreja primitiva, a igreja do Novo Testamento.
Tomo como base, vários textos de todo o Novo Testamento, mas como texto principal, faço uso do texto de Atos dos apóstolos que diz o seguinte: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, a medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At. 2.42-47).
Nesse estudo pretendo mostrar os fatores que levaram a igreja do Novo Testamento a viver desta forma, e para isto, aponto e explico as seis verdades acerca da igreja do Novo Testamento que não são pregadas nas igrejas modernas. As seis verdades são as seguintes:

1)    Uma igreja dedicada.

A palavra perseverar no grego do Novo Testamento é proskartereo, e pode ser aplicada dentro de suas variações etc. para se referir ou dar os seguintes sentidos: ansioso com relação a; perseverar; diligente; comparecer assiduamente. Em fim, podemos dizer que era uma igreja que se dedicava, e se esforçava para manter uma fé pura e genuína! Se dedicar significa esforço, o que nos indica que já nos primeiros anos da igreja, ela lutava contra as falcas doutrinas e conceitos humanos, que são tão prejudiciais ao corpo de Cristo até os dias de hoje.

2)    No que se dedicava a igreja do Novo Testamento?
Havia entre os primeiros cristãos, o sentimento de manter a fé e os ensinos que receberam diretamente de Cristo, nos anos de discipulado que os apóstolos tiveram com o mestre. Por isso, os apóstolos foram importantíssimos (ver o estudo aqui no blog sobre os apóstolos modernos: http://blogaigraphai.blogspot.com.br/2014/04/apostolos-o-movimentoapostolico-de.html ) para a igreja nos primeiros anos, os anos de sua formação e fundamentação. Eles lançaram o fundamento doutrinário da igreja, criando o sistema de crença e fé da igreja apostólica, o que pode ser constatado na carta do próprio apóstolo Paulo aos efésios, que diz o seguinte: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2.20,21). Para manter essa fé genuína e pura, a igreja se dedicou a buscar e a manter os seguintes costumes:
a)     Doutrina: “perseveravam na doutrina dos apóstolos”. Eles estavam unidos contra toda a forma de ensino que se distanciasse dos ensinos dos apóstolos. Na verdade, podemos ver em todo o Novo Testamento um grande esforço da igreja contra as heresias que tentavam se infiltrar na igreja, e para manter a pureza da doutrina apostólica (ver: Atos 20.29,30; 1°Tm 4.16; 2°Tm 4.1-5; 2°Pe 2.1-3; 3.14-18).  
b)    Na comunhão: do grego koinonia ou koinoneo, podendo os termos ser traduzidos como participar por causa de um interesse em comum. O interesse em comum pode ser visto nos versos a seguir, como orar, cultuar, e fazer ou cumprir o propósito de Deus para a igreja.
c)     Nos sacramentos: o partir do pão, é uma clara referencia aos sacramentos da igreja, como a santa ceia por exemplo. Deus instituiu os sacramentos (santa ceia, batismo,) para serem levados a sério por parte da igreja, pois ao participar deles, o cristão se lembra de tudo o que Cristo fez para resgatá-lo das trevas para a sua maravilhosa luz. Não devemos participar da ceia do Senhor, ou do santo batismo, de qualquer forma, ou com irreverência, mas com temor e gratidão no coração.
d)     Nas orações: do grego proseuchomai, que pode significar oferecer oração, oferta etc. Podemos entender pelo original e pelo contexto de atos dois, que eles oravam não por obrigação, mas como se estivessem fazendo uma oferta a Deus! Orar exige dedicação, pois é uma batalha espiritual onde lutamos contra a carne (ver: Rm. 7.15-20), e contra os espíritos maus.

3)    Uma igreja que temia ao Senhor.

Como é triste ver o que algumas igrejas estão fazendo em seus cultos, a forma irreverente e até desrespeitosa com que tratam a Deus e a sua palavra. Igrejas que desejam mandar em Deus ou pior, fazer do Senhor e da fé uma fonte lucrativa e milionária. Pastores que constroem impérios aqui na terra em nome do reino dos céus. Mas ao olharmos a igreja dos tempos de Paulo, vemos uma igreja que lutava contra esses falsos pregadores que com sua teologia da prosperidade, não temiam ofender ao Senhor, nem ao menos sob a ameaça de um juízo final(ver: 1°Tm 6.3-10).  A igreja do Novo Testamento tinha o temor de Deus. Temor no original grego é phobos ou phebomai, é o termo phebomai, que esta no texto que estudamos no livro de Atos 2.43, e ele nos indica que a igreja tinha possivelmente assombro, espanto, admiração a Deus. O temor de Deus, significando um profundo sentimento de responsabilidade perante Deus ou Cristo.  

4)    Uma igreja que tinha sinais e maravilhas.

Muitos pregadores gostam de citar essa passagem, como sendo uma prova incontestável do poder do Espírito Santo sobre a igreja, mas se esquecem de atentar para o seguinte: os sinais e o poder derramado sobre a igreja foi o resultado da vida que a igreja levava, isto é, uma vida dedicada ao estudo e defesa do Evangelho, uma vida de oração, de testemunho, de união e de amor ao próximo.

5)    Uma igreja que tinha tudo em comum.  

O termo comum no grego é koinos que particularmente indica algo que pertence de igual maneira a todos. Ou seja, a igreja era unida, porque não pertencia a nenhum líder, nenhum papa cristão, mas pertencia a todos. Por isso, havia o desprendimento para com as coisas de Deus, e todos se davam literalmente na obra (ver: vs. 45,46). Esse quadro é muito diferente do encontrado em nossos dias, em que a maioria das igrejas possui um papa evangélico, mandando soberanamente em tudo, passando por cima de todos os que se opõe ou que não rezem segundo a sua cartilha.

6)    Uma igreja que tinha testemunho (v.47).
Com ações como essas, o Senhor Deus só poderia dar a sua benção e enviar as almas que seriam salvas (v.47). Percebam que o texto diz claramente, que o próprio Deus é quem envia as almas para a sua igreja e isso nada mais é que a eleição divina, que atua juntamente com a sua igreja (ver: At 13.48).
Conclusão:
Que igreja maravilhosa! Como era poderosa essa igreja e como Deus se manifestava no meio dela. Deus continua o mesmo, pronto a perdoar, a renovar e a usar a sua igreja como antes, mas e a igreja, continua sendo a igreja dos tempos apostólicos? Penso que precisamos voltar a ser a igreja do passado. Não falo a respeito de hinos, roupas, e regras, mas falo de atitude, compromisso, lealdade, fé e reverencia com as coisas de Deus.  
Deus vos abençoe!
Pr. Igor de Moura Cogoy